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Para avaliar a segurança de uma chamada, não pergunte apenas “é criptografada?”; pergunte onde a criptografia termina e o que a gravação muda.

A criptografia do chat, por si só, não comprova que áudio, vídeo, compartilhamento de tela ou gravações de chamadas tenham a mesma proteção. Para avaliar uma chamada, é preciso perguntar até onde a mídia permanece criptografada, quem possui a chave e o que muda quando recursos como a gravação são ativados.

Este guia divide as alegações de segurança em camadas verificáveis; o nome de um protocolo ou um ícone de cadeado não substitui as respostas a essas perguntas.

Três caminhos diferentes em um único aplicativo

Caminho Exemplos de dados Pergunta de segurança
Mensagens armazenadas Texto, fotos, arquivos e mensagens de voz Quem pode ler as cópias no dispositivo, no servidor e no backup?
Mídia ao vivo Áudio do microfone, vídeo e compartilhamento de tela A criptografia termina no dispositivo do interlocutor ou em um servidor intermediário?
Sinalização Convite para a chamada, resposta e informações de coordenação da conexão Quem pode alterar as mensagens de controle ou a identidade do destinatário?

Uma mensagem de voz enviada no chat é um arquivo; uma chamada de voz é um fluxo ao vivo. Um produto pode usar chaves e mecanismos diferentes para cada um. Uma boa qualidade de áudio ou a falha na entrega de uma mensagem de texto também não diz, por si só, nada sobre a segurança do outro caminho.

O que o DTLS-SRTP demonstra?

No WebRTC, o SRTP protege o fluxo de mídia, e o DTLS-SRTP é uma forma de estabelecer o material de chaves necessário. A RFC 5764 explica o mecanismo DTLS-SRTP, e a RFC 3711 explica a proteção dos pacotes de mídia.

Mas dizer “usamos WebRTC” não responde, por si só, se o servidor de conferência descriptografa a mídia. É necessário identificar os pontos em que a criptografia termina e como eles são autenticados. A comunicação entre usuário e servidor pode ser criptografada, mas o servidor ainda pode ter acesso ao conteúdo descriptografado para processamento ou gravação. Isso não é o mesmo que E2EE entre os participantes.

A arquitetura de segurança do WebRTC na RFC 8827 também mostra que a confiança no aplicativo web, o caminho de sinalização e a identidade do interlocutor são importantes, além da proteção da mídia. Pacotes criptografados não significam que todos os componentes do produto sejam confiáveis.

Por que a sinalização deve ser avaliada separadamente?

A sinalização coordena quem liga para quem e como a conexão é estabelecida. Se um aplicativo protege as mensagens de controle, ainda é preciso verificar como essa proteção se vincula à identidade real dos participantes e às chaves da mídia.

Três perguntas bastam para orientar a leitura da documentação:

  1. O convite, a resposta e as informações de chave estão protegidos contra alterações?
  2. Como o usuário sabe que a chave pertence ao interlocutor desejado?
  3. Que aviso é exibido quando a chave ou o dispositivo muda?

As informações de roteamento, os horários e os participantes da chamada podem ser conhecidos pelo serviço mesmo em uma chamada E2EE. A explicação sobre metadados de aplicativos de mensagens aborda essa diferença.

A gravação de chamadas cria um novo limite de segurança

“Chamada criptografada” não é uma resposta completa sobre a versão gravada. Um participante pode capturar áudio ou vídeo com seu próprio dispositivo. A gravação no servidor também deve ser documentada separadamente: o servidor obtém acesso à mídia em claro para gravar? Quem armazena o arquivo? Quando ele é excluído?

Se ativar a gravação altera o modo de segurança, essa mudança deve ficar clara para os participantes. Antes de uma conversa sensível, verifique o estado da gravação e o consentimento das pessoas; o indicador de gravação integrado estar desligado não garante que ninguém esteja gravando com outro equipamento.

Como interpretar a documentação atual da Livara?

A página de segurança da Livara descreve as chamadas diretas e em grupo como E2EE, mas considera a gravação opcional no servidor uma exceção: no modo REC visível, a proteção da chamada muda para criptografia de transporte. Essa é uma alegação da documentação do produto, não o resultado de um teste ou de uma auditoria independente deste artigo.

A limitação de todas as chamadas em grupo a “2 a 6 pessoas no Android”, presente no texto antigo, não é compatível com a documentação atual e não serve de base para este guia. Para a capacidade, a plataforma e a versão desejadas, é necessário consultar o guia vigente e observar o comportamento real do aplicativo; este artigo não apresenta um teste de capacidade.

Da mesma forma, citar algoritmos de chat como o ML-KEM não comprova, por si só, que o mesmo algoritmo seja usado para a mídia das chamadas. A alegação de que uma chamada tem proteção pós-quântica exige evidências específicas sobre o caminho da mídia e a autenticação. Leia o modelo de ameaças da Livara junto com a página de recursos, e não como substituto de um teste independente.

Checklist breve antes de comparar dois serviços

Para cada resposta “sim”, anote também a versão e a fonte:

  • Chamadas individuais, chamadas em grupo e compartilhamento de tela são descritos separadamente?
  • Está claro se o servidor apenas encaminha pacotes ou se também pode descriptografar a mídia?
  • É possível verificar a identidade e a chave do participante?
  • A troca de dispositivo, a entrada de um participante e a ativação da gravação ficam visíveis?
  • O caminho da chamada na web e no aplicativo é o mesmo ou há diferenças?
  • O armazenamento dos arquivos gravados e dos metadados é explicado?
  • As evidências de testes ou auditorias correspondem à mesma versão e ao mesmo recurso?

Se a resposta não estiver na documentação, escreva “desconhecido”; a ausência de resposta não comprova nem a segurança nem a interceptação das comunicações.

Perguntas frequentes

Uma chamada E2EE impede que o interlocutor grave?

Não. O destinatário autorizado tem acesso ao conteúdo em claro e pode gravá-lo usando software ou outro dispositivo.

A criptografia de transporte é ruim?

A criptografia de transporte oferece uma proteção importante contra a interceptação durante o trajeto. A diferença é que o serviço que atua como ponto final pode ter acesso ao conteúdo descriptografado; isso não deve ser chamado de E2EE entre usuários.

Usar criptografia pós-quântica no chat também torna as chamadas pós-quânticas?

Não. A alegação deve se referir à mesma camada, aos mesmos algoritmos e à mesma versão da implementação. Avalie o chat e as chamadas separadamente.

Confira os limites de segurança da Livara
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